sábado, 23 de junho de 2018


 O que será da vida se continuarmos a não levar a muito sério? Vai tomar no cu com a retórica de ''A vida é uma brincadeira'' ou ''aproveite seus anos e as coisas pequenas'', se eu estou neste mundo e for passar mais 60 anos vivo pelo menos quero passar por experiências extraordinárias, não acordar na obrigação de cumprir meu contrato social e obrigações ordinariamente como a maioria, observando as mesmas coisas todos os dias insanamente esperando por mudança quanto à própria insatisfação com a vida, estou com quase vinte anos e até agora nada realmente mudou, a sensação/sentimento é similar à estar preso no mesmo dia para sempre, revivendo a cada 24 horas o ciclo para mais do mesmo dia.

 A relevância e importância do indivíduo na sociedade se dá pelo quão bem ele cumpre este maldito contrato, as pessoas sempre verão apenas o resultado das conquistas, nunca o esforço e dedicação dados para conquista-lá. Numa analogia ao meu treino, por exemplo, todos vêem meu corpo pensando que sou só mais um playboy que tomou anabolizantes trocando sua saúde por futilidades - novamente reiterando que nunca os usei - porém ninguém me vê suando e caminhando de manhã na canaleta atrás de uma refeição super saudável, todos estão vendo esses jogos roubados da Copa do Mundo passando pela ilusão de diversão, quando na verdade estes finais de semana com cervejas, jogos, churrascos e garotas são o maior exemplo deste pão e circo sem fim na sociedade brasileira.

Seriam estas as recompensas por cinco dias de trabalho árduo? Ou anos de impostos? Cumprimento do dever cívico ao longo da vida? Nós,  homens, juramos nossas vidas à bandeira nacional, porém na prática nem a maioria dos policiais hoje sequer cumpre este pacto com a nação, formando aliados miliciantes e botando medo no povo devido aos altíssimos níveis de corrupção.  Ao mesmo tempo, fico surpreso e contente que grande parte da população enxergue felicidade no meio de tanto horror e se esforce para se reunir mais uma vez entre amigos e familiares, mesmo que de forma singelamente escrota, diante de péssimos tempos, talvez a salvação esteja na esperança e fé mesmo.

 Se existe alguém com o mínimo de consciência do que aconteceu somente nos últimos 10 anos neste país - ou até mesmo sua história inteira - ela saberia melhor do que continuar perdendo seu tempo e esforço num país cujo maior problema é o próprio cidadão. No auge da maior crise que nossa nação já passou, pensamentos sobre continuar minha vida em outro país são cada vez mais recorrentes, mas já que isto é impossível pelo menos nos próximos dez anos, o dilema que enfrento na minha consciência hoje é se vale a pena viver até lá. Que venham os nay-sayers da razão ''ó bernardo mas se você se dedicasse nesses próximos dez anos, você se mudaria em até menos para outro país e teria uma qualidade de vida ótima pelo resto da sua existência, por que tanta raiva? Você mora literalmente no melhor edifício do Sul do país e um dos melhores da América Latina, você parece um mal agradecido e mal amado falando... Já passou por tantas experiências boas e não pode aguentar uma tempestade no meio da sua vida de bon-vivant?'' Bem, não tenho coragem de fazer isto nem comigo e nem com aqueles à minha volta porém...


 Minha resposta é: vai tomar no seu cu, falaciador folgado, só porque soa o mais correto não quer dizer que esteja realmente certo, as ideias deste blog expressam que nós escrevemos nosso próprio destino, foda-se o que lhes foi ensinado de certo e errado, adiantariam dez anos de muita dor de cabeça num meio cheio de idiotas e pessoas ruins? Meu irmão certamente entendeu isto mais cedo do que eu por ser mais velho e foi seguir suas ambições em outro país, onde nossas ambições podem ser levadas a sério e com credibilidade. Fico possesso ao saber que mesmo que eu esteja em condições ótimas não posso aproveitar a vida como bem entendo, sou realmente livre? Devo simplesmente calar a boca e olhar para baixo satisfeito porque existem miseráveis neste mundo? Se isto é humildade, tolos hei de serem todos vocês humildes, pessoas ''tão boas e corretas''. Não há razão para viver se não fomos ditar o que vira pela frente, não há bravura ou coragem em se submeter à condições depressivas por um bem maior, apenas débito sem crédito, esperanças vazias de retorno, por exemplo: racionalmente falando, um escravo negro e sua família não possuem vida, a única coisa que alimenta suas carcaças é a fome por liberdade para começar uma de fato, mas como é improvável que eles a consigam, eles morreram em vão e terão vivido sem sentido, a não ser que eles seguissem a filosofia americana na condição de get freedom or die trying, mas como o ser humano geralmente é preso à zona de conforto e medroso do que ainda é desconhecido, um pai de família escrava nunca instigaria sua família com tamanha ideia, muito menos disseminar o do or die em crianças ainda inocentes e ingênuas sobre a verdadeira realidade, que até hoje se mantém invicta no outro lado do ring.

 A história de um soldado hoje em dia não é diferente, por mais que já tenha sido glorioso e digno morrer por uma causa, ideia ou nação, não temos mais os mesmos homens, líderes, ou até mesmo algo que valha a pena morrer. Outra vertente dentro deste tema de liberdade pessoal, é que nem mesmo os eremitas estão livres, você já pensou como seria largar tudo e viver do que der e vier vagando pelo mundo? Mesmo sendo condições extremas, muitas pessoas hoje simpatizam com a ideia só de imaginar, porém erroneamente, pois por mais que um indivíduo esteja livre de possessões e obrigações, ele ainda estará a mercê das circunstâncias à sua volta, sejam elas tempo, saúde ou até intervenções de terceiros na sua vida, pois mesmo se isolando da sociedade, você nunca estará sozinho.


 Acho que estou quimicamente mal, por mais que estas postagens me ajudem a entender melhor o que está acontecendo dentro e fora da minha cabeça, não me sinto mais o mesmo, estou claramente com sintomas de alguma condição psicológica ou até física. Estou voltando a ter crises de ansiedade junto de náuseas, pensamentos negativos sem pausa e episódios de agressividade extrema (não necessariamente juntos) que me fazem ligar o computador e vomitar pensamentos e ideias neste blog, sejam elas populares ou não, certas ou erradas, com ou sem nexo ou até coerência, só preciso me manter ocupado até o tempo passar e, se Deus quiser, as coisas melhorarem novamente para que eu não tenha oportunidade de pensar muito, porque aliás, não sou o mesmo homem quando sozinho.

 Não acho que ajuda profissional possa me beneficiar tanto quanto viver novas experiências e escrever minha própria história, esta é uma luta contra mim mesmo e só eu posso luta-lá, espero que os conselhos de idosos se mostrem valiosos um dia, porque a única luz que vejo no final deste túnel está bem longe para todos nós...

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