Pois eu já, e encontrei a resposta no livro mais vendido na história do Japão: Musashi
A obra conta sobre o que foi o maior samurai japonês, Takezo, ou após mudar seu nome, Myamoto Musashi. O romance retrata o jovem ronin de dezoito anos, num Japão dividido politicamente e socialmente, diante de inúmeras guerras e escassez ele vive como um eremita veterano de guerra, lidando com suas circunstâncias usando a ignorância, ódio e violência, com notável excelência no terceiro dado.
E após ganhar sua fama temida, é pego numa armadilha feita por um monge armado apenas com um cajado e sua sabedoria filosófica zen-budista. Takezo está agora preso a uma árvore fazendo de tudo para se soltar das cordas, enquanto num diálogo com o monge lhe é dito:
- Céus, que força impressionante! Você está conseguindo balançar até a árvore! Mas veja a terra: nem se abala, reparou? Sabe por quê? Porque não há força em seu ódio - seu ódio é pequeno, é privado, tem origem em rancores pessoais. A indignação de um homem deve ser desprovida de interesses pessoais, devota à causa pública. Encolerizar-se levado por mesquinhas emoções pessoais é histeria feminina.
[...]
-Acreditava não haver no mundo ninguém mais forte que você, estou certo ou não? E agora, o que tem a dizer do seu atual estado? - Continuava o monge.
-Você não me derrotou pela força: nada tenho de que me envergonhar. Frisava Takezo.
-Não importa se fiz uso de expedientes ou de palavras, o fato é que o derrotei [...] Se considerarmos apenas sua força física, você é mais forte do que eu, tem toda a razão. Um homem não pode lutar com as mãos limpas contra um tigre, é claro. Mas um tigre é sempre um tigre, um animal inferior ao homem, não se esqueça. [...] O mesmo se dá com a sua coragem: todas as suas ações, até agora, demonstraram temeridade, uma falsa coragem que deriva da ignorância. Não são atos de um ser humano, nada têm a ver com a verdadeira força de um bushi. O homem, o verdadeiro bravo, teme o que tem de ser temido, poupa e resguarda a vida - está pérola preciosa - e procura morrer por uma causa digna. Percebe agora o que há de tão lamentável em tudo isso? Você veio ao mundo possuindo força física e firmeza de caráter, mas é inculto; aprendeu apenas o lado sombrio da arte guerreira, não procurou cultivar a sabedora e a virtude [...].
Takezo mais tarde escapa, porém volta ao monge para reconciliar-se e ceder ao caminho das letras e do conhecimento. Confinado em uma torre pelo seu, agora guru, lhes é deixado várias coleções de livros e zonas de treinamento, para três anos depois achar um novo sentido para a vida, assim como novos usos para sua força e habilidades descomunais.
Bem, o resto é spoiler, porém a moral da história: para melhor aproveitar a vida e sugar toda sua essência, deve se obter conhecimento.
Não é a toa que este livro se encontra em toda cabeceira japonesa, real talk.

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